segunda-feira, 15 de junho de 2009

Com amigos destes...

Hoje ouvi Ana Gomes a clamar por uma mudança de estilo de José Sócrates, de forma a evitar a crispação entre o governo e os cidadãos.
Confesso que fiquei estupefacto, porquanto Ana Gomes tem sido o símbolo da incontinência verbal e da agressividade irracional dos dirigentes socialistas.
Se alguém contribuiu para a crispação foi a deputada europeia, com o seu tom arrogante, provocatório e de superioridade moral, como se fosse a detentora da verdade e da razão.
Com amigos destes, José Sócrates não vai longe. Na verdade, o primeiro-ministro arrisca-se a não ir muito mais longe do que as próximas eleições legislativas. Mas com ajudas destas, ainda vai embora mais rapidamente.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Consequências de um governo fraco

João Rendeiro, o ex-presidente do BPP, “esperava que o Governo anunciasse uma outra solução para os clientes de retorno absoluto e acusa o Executivo e os reguladores de terem alimentado falsas esperanças".
Só em Portugal é que um dos principais responsáveis pela actual situação do BPP é que se pode dar ao “luxo” de fazer afirmações destas.
É a consequência de termos um governo fraco e um ministério público que dá a sensação de navegar ao sabor de algumas pressões mais ou menos politizadas.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Por falar em abstenção, responsabilidade e outras coisas

Por falar em abstenção e responsabilidade dos políticos, e porque a história é terrível e perversa, nomeadamente quando existem registos fiáveis dos dados, importa esclarecer os níveis da abstenção nas eleições para o Parlamento Europeu desde 1987 (dados do site da CNE).
A saber, em 1987: 27,58%, em 1989: 48,40%, em 1994: 64,46% (a taxa de abstenção mais elevada de todas), em 1989: 60,07%, em 2004: 61,40% e em 2009: 63,5%, a segunda taxa mais elevada de sempre.
Ou seja, as taxas mais elevadas de abstenção em eleições para o Parlamento Europeu foram coincidentes com dois governos de maioria absoluta, ambos em fim de ciclo.
Por isso, as ilações dos níveis da abstenção já deveriam ter sido retiradas pelos responsáveis políticos há mais de quinze anos. O "busílis" da questão é que eles são sempre os mesmos, a jogarem o famoso jogo da cadeirinha (com a honrosa excepção de Paulo Rangel).

terça-feira, 9 de junho de 2009

Que topete!

Confesso que admiro a desfaçatez dos partidos que votaram a Lei do Financiamento Partidário, sem serem coagidos e que, agora, face à reacção dos cidadãos e ao veto do Presidente da República, aparecem como "virgens imaculadas" a fingir que não foi nada com eles e nem sabiam o que tinham votado.
É por estas e por outras que a abstenção atinge os níveis que se registaram no passado domingo.

Apoiar a desobediência, mata a obediência

O Ministério da Administração Interna condenou «actos indignos da condição policial como os hoje ocorridos junto à residência oficial do primeiro-ministro», em que polícias lançaram os bonés da farda como protesto contra o novo estatuto profissional.
É de condenar a atitude destes profissionais a quem compete defender os cidadãos, mas o grande problema é que eles não têm cadeia de comando, nem se revêem no Ministro, nem no Governo. Daqui para a desobediência vai um pequeno passo, que já foi dado e para o qual não há retorno, porque os socialistas incentivaram, sempre, quando estavam na oposição, este tipo de atitudes.

Com a arrogância no bolso

Vitor Constâncio não se demite, nem se demitirá, a pedido dos deputados, porque é um homem "limpo".
Ninguém coloca em causa a seriedade do Governador do BdP, mas sim a sua competência, face ao que se passou nos últimos tempos com a banca.
Mas, no meio disto tudo, estamos a esquecer que ele se prestou à maior falácia do início do governo socialista, o famoso défice, que permitiu os maiores desmandos praticados pelo executivo de José Sócrates ao longo desta legislatura.
Colaborando e sendo parte da mentira, o Governador do BdP é co-responsável pelo estado a que chegou a economia portuguesa e as finanças públicas.
Por qualquer destes motivos, deveria ter um pouco de bom-senso e aproveitar a oportunidade e ir embora.
Não o fazendo, arrisca-se a sair pela porta mais estreita do BdP, sem honra, nem glória. Mas a respirar vaidade e arrogância.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Com a demissão no bolso

Daqui por quinze minutos, quando Vitor Constâncio entrar na Assembleia da República para prestar contas à Comissão de Inquérito ao caso BPN, espero que leve, no bolso, a carta de demissão. Por uma questão de ética republicana.