quinta-feira, 22 de abril de 2010

A absolvição esperada.

O Tribunal da Relação de Lisboa absolveu o empresário Domingos Névoa do crime de tentativa de corrupção do vereador da Câmara de Lisboa José Sá Fernandes.
Sem pretender fazer futurologia, este vai ser, igualmente, o desfecho do caso Tagus Park, porquanto, além do mais, a tipificação dos actos praticados pelos arguidos está incorrecta.
Mais uma vez o Ministério Público é colocado em crise, pelo que talvez fosse útil entender os motivos pelos quais isto acontece.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Otelo Saraiva de Carvalho e o seu desencontro com a História.

Otelo Saraiva de Carvalho, na entrevista que concede ao DN, e sobre as FP25 e a sua participação neste bando, afirma o seguinte: “Havia um conluio do PCP com o CDS e com o PSD para a minha liquidação total. Fiquei cinco anos preso preventivamente, quando o máximo era quatro anos. Quando eu fui detido, cerca de 70 por cento dos inspectores da PJ eram militantes do PCP. Todo o meu processo foi tratado e conduzido, mesmo em tribunal, pelo secretariado de trabalhadores do PCP".
Esta afirmação/conclusão tenta ser o acerto de contas com a história e com o PCP, a quem Otelo nunca perdoou,bem como uma tentativa desculpabilizante de um dos “heróis de Abril”.
Infelizmente, a verdadeira “história” das FP25 nunca irá ser contada, por dois motivos fundamentais: primeiro, porque a coberto de uma acção política, um bando de criminosos assassinou cidadãos e assaltou bancos, segundo, porque não será conveniente para muitos políticos ainda em funções, que se saiba o seu envolvimento em todo o processo.
Por outro lado, Otelo Saraiva de Carvalho levanta uma questão pertinente, a qual diz respeito ao papel e à influência do PCP na estrutura da Policia Judiciária.
Mas, também esta questão nunca terá uma resposta e será sempre negada.

sábado, 17 de abril de 2010

Qual o conceito de "manso"?

Francisco Louçã disse que o primeiro-ministro estava mais "manso" e este comentou, em surdina, que "manso é a tua tia, pá".
Esta frase foi primeira página de quase todos os jornais e abriu uma discussão na "blogosfera", como se fosse a causa de todos os males do nosso país.
Discordo das críticas ao primeiro-ministro, e estou à vontade para o fazer, porque se parte de um argumento falacioso.
Se a intenção de Louçã foi de dizer que o primeiro-ministro estava mais suave, o comentário de Sócrates tem de ser entendido na mesma medida.
Se a conotação que Louçã quis dar ao conceito de "manso" foi outra, a reacção do primeiro-ministro é criticável, apenas porque não pode descer ou deixar arrastar-se para a "ordinarice".
Qualquer que seja a interpretação que se faça, esta situação dá-nos a dimensão do estado a que chegou a nossa política e dos nossos políticos.
Eu penso que os portugueses querem é ideias e determinação para sairmos da crise em que nos meteram e da qual não se sabe como iremos sair.
Se os jornalistas, os jornais e os portugueses, afinal, se querem alimentar destas "pequenas coisas", é porque se estão nas "tintas" para o resto e sou obrigado a concluir que o conceito de "manso" foi bem empregue e é extensível a uma boa parte dos portugueses.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Não quero acreditar, mas...

Simon Johnson, antigo economista chefe do FMI, disse que Portugal "corre risco de falência económica", acrescentando que a situação financeira portuguesa é idêntica à de Madoff, ou seja, uma enorme burla em pirâmide.
Se isto for verdade, e os responsáveis políticos portugueses souberem e nada fizerem, a sanção não pode ser apenas de natureza política, mas deve ser penal.
Nem que para isso seja necessário alterar o Código Penal e criar um novo tipo de crime.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

O desconhecimento da lei...favorece o ridículo.

Segundo as notícias, Luís Figo não foi acusado da prática do crime de corrupção, porque desconhecia que o Tagus Park era uma empresa de capitais públicos.
A fundamentação do Ministério Público é ridícula e lamentável, abrindo o caminho para que o desconhecimento da lei favoreça o infractor.
Além disso, sem pretender fazer juízos de valor, a sensação com que se fica é que alguns portugueses têm mais direitos do que outros. E que, Luís Figo só não foi acusado, por ser uma figura pública, com impacto mediático/popular.
Assim vai a nossa triste justiça.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Os ricos não pagam a crise.

As notícias de um começo de ano forte para a LVMH, a fabricante das malas Louis Vuitton e do Champanhe Moet, aumentaram as expectativas de que os mais ricos do mundo continuam imunes à crise. Esta notícia é esclarecedora quanto aos efeitos da crise financeira que abalou o Mundo.
A classe média, os desempregados e as classes pobres continuam a ser os grandes prejudicados de um sistema económico desregulado e em ruptura.
Por isso, não compreendo a satisfação de alguns partidos de esquerda perante a crise. A não ser que continuem a sonhar com a revolução proletária e com a conquista do poder na ponta dos canhões.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A desonestidade intelectual das "mundanas" do comentário político.

Antes e durante a campanha para as directas no PSD, alguns dos comentadores do regime crucificaram o candidato Pedro Passo Coelho e glorificaram o candidato Paulo Rangel.
Agora, após as eleições e o Congresso, os mesmos, autênticas "mundanas" do comentário político, elogiam, Passos Coelho.
Eu, se fosse a Passo Coelho, teria muito cuidado com esta gente, que, além de desonesta intelectualmente, tem no ADN a fórmula mais requintada da corrupção moral.